terça-feira, 2 de outubro de 2007

A obrigação de amar os pais

fonte: Abril: Especial caso Richthofen




Todos conhecemos ou pelo menos ouvimos falar do Caso Richthofen, que chocou o Brasil em Outubro de 2002. Suzane Von Richthofen foi acusada de matar os pais e provou ser uma psicopata fria, bárbara e cruel. Sob especulações de que ela foi manipulada pelo namorado, ela quase não demonstra arrependimento ao falar do crime. Outros dizem que ela foi a manipuladora. Mas o que leva alguém a matar os pais não é o tema a ser discutido agora.

Comecei pelo caso de Suzane porque ilustra bem o que quero mostrar aqui. Na comunidade do Orkut
Eu DEFENDO Suzane Richthofen!! um tópico me chamou a atenção onde um garoto questiona que é um caso comum que pode acontecer em qualquer lar. Uma garota inteligente, bonita, rica, cursando o ensino superior e que aparentemente não tinha motivos para matar os pais... Intrigante não? Na comunidade de humor-negro Santa Suzane Richthofen pode-se ver muitos tópicos defendendo a atitude tomada pela Suzane. Um "André" tenta defendê-la com argumentos fraquíssimos e sem fundamento como pode ser visto na própria comunidade.

Não deveríamos ser obrigado a amar nossos pais. Mas somos, pelos costumes e valores da sociedade. Dizer ou mesmo sentir essa ausência de amor paternal é mais comum do que imaginamos, mas é ocultado pela represália dos olhos preconceituosos das pessoas. Muitos amam os pais porque acostumaram, mas não é realmente amor. Por que a divergência entre irmãos é vista de forma bem mais aceita? Os irmãos são tratados como iguais na hierarquia familiar, sendo os pais rei e rainha. Visto desta forma, os filhos não têm direitos sobre os pais. Eles mandam, a prole obedece. Alguns justificam esse abuso de autoridade como forma de amor e educação. Então os filhos deveriam poder "amar" da mesma forma. A diferença é que os filhos não têm opção de ter pais, mas os pais têm opção de ter um filho. Assim, deve por lei zelar por sua saúde, educação, lazer, etc, como consta no art. 4º do
Estatuto da Criança e do Adolescente. Uma notícia da revista Consultor Jurídico de dezembro de 2006 trata exatamente deste assunto.

Serve também para o oposto. Os pais não são obrigados a amar os filhos, embora acredito que não há amor mais cego, puro e idiota que o amor de mãe. Por mais inescrupuloso e mau-caráter que o filho seja, ele pode perder tudo, mas o amor de sua mãe vai estar sempre vívido dentro dela. Matar alguém é algo a ser pensado com muita cautela. No caso de Suzane, foi um crime premeditado. Talvez ela tenha tido os motivos dela para sair de casa, denunciar os pais por algum tipo de abuso, que seja. Não é crime não amar, mas matar é e quase nunca é justificável. Ainda mais num caso de família, onde o sangue derrubado, é o mesmo que o seu.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Casa Perigosa

Principalmente para crianças e idosos, nenhum lugar é completamente seguro. Nem mesmo suas próprias casas.

Dia 26 de setembro o Jornal da Metodista
disponibilizou uma matéria dizendo que 40% dos acidentes fatais com crianças acontecem em casa. No domingo, dia 30/09, o Fantástico também fez uma reportagem falando sobre os perigos que o lar oferece para crianças desacompanhadas.

Produtos de limpeza, panelas com alimentos quentes, ferros de passar, banheiras e tanques, enfim, tudo é uma arma – embora as crianças acreditem que sejam brinquedos. Na minha família mesmo, enquanto uma tia virou as costas para colocar a roupa passada na cama minha priminha puxou o fio do ferro, que caiu sobre a mão dela – deixando uma cicatriz. Felizmente não foi grave, e a marca nem chama atenção. Mas na época o susto foi grande.

No caso dos idosos o problema não tem a ver com a curiosidade e falta de discernimento, e sim, com a perda dos reflexos de um modo geral (inclusive problemas de visão e audição) e com a fragilidade dos ossos. Qualquer pequena queda pode causar grandes transtornos, por isso é importante adaptar alguns pontos críticos das casas, como banheiros e escadas.

domingo, 30 de setembro de 2007

A separação dos pais e as consequências para os filhos

Lembro-me de um dia em que conversava com uma amiga sobre casamento e ela me disse que "sua irmã queria se casar jovem pois se acontecesse de se separar, ainda tinha tempo de encontrar outra pessoa". E hoje em dia o que vemos na verdade é isso mesmo.

É difícil encontrarmos casamentos duradouros por diversos motivos como a rotina, pensamentos diferentes, falta de tempo por conta da correria do dia-a-dia, etc. A facilidade em se separar também ajuda. Não acho que as pessoas devam ficar juntas contra sua vontade e por isso devem pensar bem antes de se casar.

Mas em meio a essa realidade de casais que se separam de maneira tão simples, onde ficam os filhos? Na verdade esses são os pricipais prejudicados. Ficam divididos entre os pais e muitas vezes não sabem como agir para enfrentar essa situação. A criança necessita de atenção redobrada para aprender a conviver com essa nova situação em sua vida. Os pais devem evitar as brigas e mostrar para os filhos que estarem se separando é melhor do que estarem juntos brigando.

A melhor saída é a conversa e se encontrados muitos obstáculos, a ajuda de especialistas também é viável pois com a experiência no assunto podem mostrar formas diferentes de encarar os obstáculos dessa nova fase, tanto na vida dos pais quanto dos filhos.

Leia mais sobre o assunto.

sábado, 29 de setembro de 2007

A educação no combate ao crime

É cada vez mais comum a presença de menores de idade em diversos tipos de crime: tráfico de drogas, assaltos, seqüestros, etc. Diante de casos de grande repercussão, como o brutal assassinato do menino João Hélio , João Hélio em fevereiro deste ano, se discute a redução da maioridade penal para esses infratores, com a intenção de coibi-los. Mas será que essa é a melhor solução? O que tem sido feito para evitar as causas pelas quais as crianças são levadas para a ilegalidade? E o que está sendo feito para recuperar os infratores, preparando-os para retornar ao convívio social e buscar uma vida digna?

Tanto os detentos quanto qualquer outra criança que não tenha moradia decente, saúde, alimentação, lazer e acesso à educação de qualidade têm forte tendência a procurar soluções para os seus problemas em atividades ilícitas. É aí que as escolas podem dar uma enorme contribuição para a salvação de futuros criminosos em potencial.

Promover a inclusão social - seja através de programas culturais, esportivos ou de cursos profissionalizantes, por exemplo - pode render resultados muito positivos. Foi o que mostrou uma pesquisa do
Instituto Ayrton Senna(segundo revista Época) sobre os efeitos da abertura de 2.102 escolas aos fins de semana, com projetos educacionais especiais. Em três anos, houve redução de:
63% no consumo de drogas,
63% no porte de armas,
57% nas ameaças a professores,
55 % nas agressões físicas,
43% nas depredações
e 42% nos furtos e roubos.

A
Fundação Casa (antiga FEBEM, vista por muitos como uma “escola do crime”), também tem apostado na reabilitação dos internos por meio de medidas voltadas para o social, como a proximidade da família durante o cumprimento da pena e a possibilidade de estudar fora da Instituição (dependendo da gravidade do crime cometido).

É claro que as ocorrências lamentáveis que vemos nos jornais não se justificam, mas tratar esses menores – pobres e marginalizados, na grande maioria – como bichos que devem ser excluídos do “nosso mundo” não deixa de ser um crime.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Ser diferente

foto: Garambone



Muitos casais sonham em ter filhos. Jogar bola, videogame, brincar de casinha e contar histórias antes de dormir enfeitam a felicidade de ser pai. Por vezes os pais ficam ansiosos quando estão esperando bebê, desta forma, se algo não acontece da maneira planejada a família toda fica em choque. Isso ocorre quando a criança nasce com uma deficiência física ou mental, eles sentem como se seus sonhos não fossem se concretizar.

Hoje em dia, a maioria dos casos de deficiência pode ser diagnosticado antes do nascimento, através dos exames de pré-natal. Porém, às vezes a família só fica sabendo quando o neném nasce. Pais de primeira viagem nunca estão preparados, ainda mais quando se trata de uma criança especial. Abordar este assunto com uma mulher grávida chega ao cúmulo de soar como uma indelicadeza. Isso porque ainda existe muito preconceito com os deficientes. Alguns, pais quando descobrem a doença ainda na gestação, preferem abortar, ainda que ilegalmente. Outros têm a criança, mas sentem tanto medo do sofrimento que o preconceito causará que acabam superprotegendo o bebê.

Os casais que pretendem ter filhos devem ter em mente que há possibilidade da criança nascer ou adquirir uma deficiência, mas é possível ter uma vida saudável da mesma forma. O primeiro preconceito vem dos próprios pais na hora de assumir a doença.

A atriz mirim Joana Mocarzel, sete anos, é prova de que o desenvolvimento, neste caso de crianças portadoras de síndrome de down, é possível, basta haver incentivo. O jogador de futebol Romário tem uma filha também com síndrome de Down , e diz: “ a gente sabe que ela é definitivamente mais do que especial. Tenho certeza de que ela vai ser uma das pessoas mais maravilhosas que Papai do Céu pois na Terra”.

Os deficientes físicos e mentais são lições de vida; eles são perseverantes, têm força de vontade e uma alegria de viver que contagia; muitos são mais felizes em suas condições do que aqueles considerados perfeitos. A deficiência depende muito da abordagem feita. Se for encarada como um problema, o desenvolvimento será complicado, se considerado um desafio, superar pode ser gratificante. As dificuldades existem, mas isso não é diferente para nenhum ser
humano.



foto: Unipar

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Pausa para os comercias

Como "bônus", resolvi colocar este vídeo do Lucas & Juquinha que passava na Rede Cultura. Quem não sabe do que eu estou falando, vai recordar quando assistir ao vídeo. E quem ainda assim, não se lembrar, é porque é muito novo e não pegou essa excelente época da TV Cultura.

E não menos importante, o resultado da nossa enquete: Você acha que os pais devem proibir as crianças (zero a 12 anos) de assistirem televisão?


Sim, porque há conteúdo impróprio para determinadas idades mesmo durante o dia (1 voto 8%)
Sim, desde que os pais conversem com seus filhos para explicar o porquê da proibição (1 voto)
Não, porque as crianças ficarão deslocadas dos assuntos do grupo (nenhum voto)
Não, porque as crianças têm que desenvolver autonomia para decidir o que é bom ou não para elas assistirem (1 voto)
Não, porém devem conversar com seus filhos a respeito de idade certa para certos programas (9 votos 75%)

total: 12 votos

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

A favor da família, sempre!

fonte: CEJAI-CE

A maior parte das pessoas concorda que família é aquela que vive junto, que mora na mesma casa e divide problemas, ambições, alegrias, etc. Concorda também que pais são aqueles que educam, dão amor, carinho, ajudam o filho e o corrigem sempre que necessário. Então como explicar o preconceito que, algumas vezes, a sociedade tem em relação a filhos adotados?
Se um casal de apaixonados, sendo eles de diferente sexo ou não, resolvem adotar uma criança com todo amor, não deveriam haver obstáculos para isto.

Um filho adotado é um filho que os pais escolheram e, que de alguma forma algo entre eles foi legal desde o primeiro encontro até o momento final da adoção. O processo de adoção leva algum tempo para se concluir, pois são necessárias entrevistas, acompanhamento de assistentes sociais que possam avaliar os interessados na adoção para verificar a condição de vida que darão ao adotado.

O CeCIF – “Toda Criança em Família” é uma organização não-governamental de interesse público que promove ações que preservem os direitos da Criança e do Adolescente à convivência familiar e comunitária.

Ao conversar com crianças e adolescentes adotados questionei sobre o que pensavam da educação que devem receber dos pais e, a resposta foi uma só, de que os pais devem contar para os filhos que eles são adotados, pois não é vergonha para ninguém e, desta forma a relação deles ficará mais confiável.

Rodrigo Aureliano, 24, graduado em Biologia afirma: “Eu como biólogo acredito que não existe essa história de crianças serem revoltadas pelo fato de ser adotada e ser filho biológico de um bandido ou de uma mulher pobre que não tem condições de criar. A índole da criança é construída com os pais que dão a educação”.
fonte: SESAP-RN
Deve-se dispor de uma educação “normal” como se o filho fosse seu biologicamente.
Uma família sem condições de criar um filho deve sim colocá-lo à adoção, pois ele poderá ter uma nova oportunidade de vida. Tanto a sociedade como o processo de adoção, não deveria ter o preconceito de pais gays adotarem um filho, pois o modo de como a criança verá a vida e entenderá os fatos será criado de acordo com a educação que ela receber, independente do sexo de seus pais.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

A infância em extinção


fonte: All Posters



Os tempos, definitivamente, são outros. No passado recente, tudo o que as crianças mais queriam ganhar eram brinquedos. Mas nesse novo mundo, caracterizado por uma infância cada vez mais precoce que faz com que a vaidade e o individualismo cresçam rapidamente, meninos e meninas de 12 anos para baixo estão progressivamente abraçando o mundo da moda, da tecnologia, e do sexo.

Fui a uma festa umas semanas atrás de uma garota de classe média alta que estava fazendo 11 anos. A casa dela havia se tornado uma balada. Funk e música estilo black de letras pornográficas e insinuantes tocavam bem alto enquanto as crianças dançavam na “pista” improvisada. DJ, som duvidoso, luzes... Fiquei impressionado e triste com aquilo tudo. Os presentes não eram brinquedos ou algo do tipo. Eram roupas, maquiagem, sapato, jóias.

Essa nova geração é chamada de tweens, abreviação da palavra between (entre, em inglês) e trocadilho com teens (adolescentes). Um personagem que espelha e satiriza essa nova classificação é o Bob Esponja Calça Quadrada (foto), que não sabe se é adulto ou se é criança. O estímulo excessivo de vaidade na criança pode trazer sérios problemas para o futuro. Um exemplo disso é o número crescente de crianças preocupadas com regimes, maquiagem, moda e coisas do tipo. Na minha época ganhar roupa era o fim, eu gostava mesmo era de ganhar brinquedos, como todas as crianças. E brincar na rua até o anoitecer. Hoje as únicas crianças que vemos nas ruas são as que não têm casa para morar.


foto por Blad Meneguel



Li uma matéria na revista Caras sobre o aniversário da Sasha, a filha da Xuxa. Como uma mulher que se diz “A Rainha dos Baixinhos” pode destruir a infância da própria filha? De presente, a pequenina que completou 9 anos ganhou uma moto. É, uma moto. E na trilha sonora da festa de aniversário, repetimos o funk: “Sasha gosta, mas eu amo funk. Sem querer, acabei influenciando um pouquinho na escolha”, a mãe. Imaginemos esse “pouquinho”. Para me ajudar, a revista Contigo fez uma entrevista muito mal-feita com a Sasha. Agora pergunto, caros leitores, essa garota aparenta ter apenas nove anos?