sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Família do coração

Família de Poá - foto cedida por Rosemeire Alves González do setor de
Comunicação e Desenvolvimento de Parcerias da Aldeia S.O.S.

É na família que a criança encontra conforto, carinho, segurança e proteção. Porém sabemos que há muitos casos de abandono, seja por falta de condições financeiras, por falecimento, ou por motivo de doenças graves.

“A família é essencial na conquista da maturidade emocional do filho, pois só ela pode proporcionar um caminho de transição entre os cuidados dos pais e a vida social”, assegura a Psicopedagoga da Clínica Apprendere Espaço Psicopedagógico.

Considerando a importância da família, a
Aldeia S.O.S. – organização que abriga crianças órfãs em risco social – é estruturada de forma a criar um ambiente familiar. A Aldeia possui 12 casas-lar, sendo que, em cada uma mora uma mãe social e entre sete e nove crianças. Os irmãos de sangue permanecem sempre na mesma casa.

O Programa de Fortalecimento Familiar e Comunitário da instituição ajuda as crianças a criarem relações afetivas não só com seus irmãos postiços e a mãe social, mas também com toda a comunidade. Na unidade de São Bernardo do Campo, em SP, as atividades oferecidas são: educação infantil, apoio educacional, inglês, dança, artes, esportes, reuniões familiares e centros comunitários.

As crianças moram na Aldeia até completarem 18 anos, depois disso, os jovens que têm ganhos regulares recebem um apoio financeiro e pedagógico por no máximo três anos. Essa assistência tem como objetivo ajudar os jovens no seu processo de autonomia.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Onde foi que eu errei?

Normalmente esta é a pergunta que atormenta um pensamento paterno ao se deparar com o fato de que seu filho primogênito está seguindo por caminhos que não são corretos, ou pelo menos, indesejados por um pai.
Classe média alta, colégio particular por 13 anos, boa casa, família bem estruturada, sem brigas freqüentes ou relevantes e, por má companhia aquele jovem passa a se drogar.

Mas, espera um pouco aí! Aonde foi parar a educação que deram para este garoto, os pais que pecaram na hora de educar ou ele que escolhe seus caminhos? Afinal, um rapaz de 18 anos já se sente homem o suficiente para tomar suas decisões e, na maioria das vezes, já é mesmo.

Não bastou então conversar com ele nos últimos cinco anos, tentando mostrar os diversos caminhos da vida e torcendo para que ele faça a melhor escolha. Talvez fossem necessários mais exemplos, mais conversa, aquela ajuda mesmo que um pai, com toda sua experiência, pode fornecer a seu filho que está descobrindo o mundo. Agora além de conversar e tentar ocupar a vida do garoto com diferentes atividades, a reza, para os que acreditam, passa a ser indispensável todos os dias e, já não se dorme mais no meio do “Pai Nosso”.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Etiqueta só se for de Camiseta

Não quero parecer radical ou "revoltado" ao falar de como se portar à mesa. Sou imoral e não vou aceitar de jeito nenhum alguém me dizendo como devo me comportar na hora de comer.

Regras, regras e mais regras. Parece que o ser adulto é tão enfastiado que precisa inventar regras pra suprir o vazio da vida que lhes cerca. E não estou querendo defender o arrotar, falar palavrão ou comer com as mãos. Não é isso. Estou querendo dizer sobre como os talheres devem ser postos, como pegá-los, como cortar o bife ou organizar a salada no prato. É disso que estou falando. Já temos infinitas regras de inúmeras situações, então pergunto
"De que serve a etiqueta?”

Etiqueta é só uma forma esnobe que os ricos inventaram de dizer “Nós somos melhor que vocês”. Até hoje não entendo por que devemos colocar o guardanapo no colo ou não poder usar boné na hora da refeição.

Educação na mesa como não falar de boca cheia ou brincar com a comida é uma coisa, agora etiqueta é falsa-educação. Falsa e mesquinha.

E almoço de família mesmo é assim, sem regras, sem silêncio, sem falso moralismo. Quando a família ou amigos de verdade se juntam para uma refeição, seja ela almoço ou jantar, natal ou reunião de domingo, não tem nada melhor que poder arrotar livre na mesa e rir com a boca escancarada e cheia de macarrão, sabendo que ali, ninguém se importa.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Minha culpa, minha máxima culpa.

“Se os progenitores não aprenderam de forma adequada a enfrentar uma determinada situação evolutiva, não poderão ensiná-la a seus filhos. Produzirá, então, uma falha nesse momento evolutivo, pois os pais não tolerarão a reativação das ansiedades que experimentaram quando adquiriram a aprendizagem em pauta” – escreveu Raquel Soifer¹. Acho que “colocar a culpa nos pais” é uma boa forma de tomarmos fôlego para iniciar a semana.

Uma vez eu falei uma coisa errada, todo mundo riu, e um amigo me defendeu: “Como ela ia saber, se ninguém falou pra ela?”. Colocar a culpa nos outros de modo geral também parece ser um bom jeito de começar a semana.

O problema é que quem vai viver a semana sou eu e, independentemente de quem seja “responsável” por meus defeitos e dificuldades, quem vai sofrer os efeitos dessas causas sou eu.

Além do mais, eu faço parte da minha família, do meu trabalho, da minha faculdade... e tenho minha parcela de responsabilidade, culpa e mérito diante dos “resultados” que essas instituições apresentam. Se eu percebi que faltou aprender algo com a minha família, cabe a mim mostrar a eles que não sabíamos daquilo – por mais que sejam “reativadas as ansiedades”. Afinal, estamos todos no mesmo barco. Ou melhor, na mesma casa.


¹Raquel Soifer é psicanalista argentina, uma das pioneiras da psicanálise infantil na América Latina. Encontrei o trecho citado no blog numa monografia de 1999, de uma ex-graduanda de psicopedagogia da Universidade Metodista de São Paulo, a Marluci de Fátima Ferreira. Raquel ainda pode ser tema de outros posts.

domingo, 2 de setembro de 2007

Boa sorte e consciência

Um casal de adolescentes, amigos meus, tiveram um filho. Não que tenha sido planejado por todos, mas hoje ele é a benção de toda a família. Os pais ainda são jovens, estudantes e têm toda a vida pela frente, porém agora com a responsabilidade de educar um filho, mais um habitante deste mundo louco em que vivemos. De onde tirar conhecimento suficiente para passar para seu filho?

Claro, da educação que receberam de seus pais. É como se fosse um ciclo, tudo o que você aprende, um dia passará para seu herdeiro que mais para frente ensinará a outros, etc. O que não se pode negar é que o mundo muda e, com ele nós também, então fica complicado passar adiante uma educação rígida que recebeu nos anos 60, para seu filho que vive hoje no século XXI, sabendo que ele, ainda adolescente, tem o dever de ensinar um ser que viverá numa época que mal podemos imaginar como será.

Então podemos suspeitar da educação vinda dos pais, no sentido de que esta, agindo sozinha, não tem força alguma para formar, moralmente dizendo, uma pessoa; pois é preciso saber como a tal encarará o mundo lá fora e também seus próprios obstáculos. O que podemos desejar então é sorte aos pais que educam e, consciência aos filhos que aprendem.

sábado, 1 de setembro de 2007

Superproteção x Liberdadade


O pássaro que o leitor vê acima é de meu pai, e por isso o Seu Egberto se acha no direito de trancafia-lo numa gaiola minúscula, impedindo-o de voar apenas para poder ouvi-lo cantar de perto. Penso que meu pai odeia pássaros. Se gostasse, não os prenderia.

Infelizmente, esse simpático e popular “Coleirinha” não pode mais ser solto. Explico: é que depois de tanto tempo encarcerado, ele não duraria muito em liberdade. Não sabe procurar comida e abrigo, não sabe se defender dos predadores e possivelmente não sabe nem voar.

Muitos pais, guardadas as devidas proporções, agem da mesma forma com seus filhos. Talvez por medo de que se machuquem, acabam protegendo demais suas crianças, que crescem frágeis e despreparadas para o “mundo real”. Mais tarde, esses indivíduos terão grande dificuldade em lidar com os dramas da adolescência e, depois, com os problemas da fase adulta, etc.

É imprescindível impor limites, sobretudo na infância. Mas o excesso de cuidados pode “cortar as asas” da criança. “Ora! Mas esse passarinho já tem tudo: Abrigo, água, alpiste. Até jiló eu dou pra ele. E o danado canta que é uma beleza!”, diria meu pai. Se a superproteção atrapalha? Pergunte ao camarada aí da foto.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Fonte: TV Rage

(NaLauren Graham e Alexis Bledel – protagonistas
do seriado
americano Gilmore Girls)


O seriado americano Gilmore Girls tem como protagonista uma mãe solteira (que ficou grávida aos 16 anos) e sua filha. A trama conta com humor os desafios da vida dessas mulheres.

Aqui no Brasil, o assunto foi abordado pela novela “Páginas da Vida”, quando Nanda (Fernanda Vasconcelos) foi abandonada grávida de gêmeos por seu namorado Leo (Thiago Rodrigues).

Mamãe, eu tenho pai?

“Toda criança e adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar comunitária (...)” garante o Estatuto da Criança e do Adolescente – Capítulo III – seção I – Art. 19.
Mas, o que podemos considerar família?

“Família são aqueles que te amparam, te escutam, apóiam suas decisões e ajudam na formação do seu caráter”, diz o inspetor de qualidade Rodrigo de Oliveira Batista, 20. O pai dele abandonou a mãe grávida porque queria o aborto. Criado pela mãe com a ajuda dos familiares maternos, conheceu o pai já aos nove anos. Ele conta que o encontro foi muito importante na época, pois sentiu como se tivesse “ganhado uma família de verdade”.

Rodrigo diz que mantém contato com o pai até hoje, porém já não se importa tanto com as mágoas que ele lhe proporcionou. Ele acredita que se fosse criado por ambos os pais sua vida seria muito diferente.

Ser mãe solteira é uma grande responsabilidade, afinal as obrigações ficam acumuladas em uma só pessoa. Cuidar da criança, levar para escola, trabalhar para sustentar a casa, e ainda ter tempo para brincar com o filho e cuidar de si mesma.

Além disso, precisa saber lhe dar com a falta do apoio do pai e os problemas refletidos no filho pela ausência da figura paterna. Ser filho de mãe solteira também é complicado, e pode (o que, na maioria das vezes acontece) acarretar sérios problemas psicológicos.